As motos do Mundial no ICGP – Yamaha TZ, o mito (parte 2-final: 1982 a 1990)

"Made in Venezuela": em 1983, pose da equipe Venemotos, campeã da 250 com Carlos Lavado (moto número 5). Na moto 23 está o segundo piloto da equipe, Ivan Palazzese.
“Made in Venezuela”: em 1983, pose da equipe Venemotos, campeã da 250 com Carlos Lavado (moto número 5). Na moto 23 está o segundo piloto da equipe, Ivan Palazzese.

(Para ler a primeira parte, clique aqui)

O francês Jean-Louis Tournadre e sua Yamaha TZ 250 H em 1982. Naquele ano, Tournadre foi campeão da 250 com apenas um ponto de vantagem sobre Anton Mang e sua Kawasaki KR 250.
O francês Jean-Louis Tournadre e sua Yamaha TZ 250 H em 1982. Naquele ano, Tournadre foi campeão da 250 com apenas um ponto de vantagem sobre Anton Mang e sua Kawasaki KR 250.

Como vimos na primeira parte, a temporada de 1982 foi a última da categoria 350 no Mundial de Motovelocidade devido a fatores diversos, como diminuição de custos e a necessidade da FIM de reposicionar as categorias do Mundial. Por isso, pela primeira vez a Yamaha adotou diretrizes diversas para as duas versões da moto. Assim, a 350 H praticamente não recebeu desenvolvimentos em 1981 e 1982.

Já a TZ 250 H, lançada em 1981, era fruto de um  projeto totalmente novo. Pode-se dizer que, a partir da H, a TZ 250 “ganhou vida própria” em relação à TZ 350, já que a necessidade de partilhar componentes com uma moto de cilindrada maior deixou de existir. O quadro, por exemplo, passou a ser exclusivo, com tubos de dimensões e geometria diferentes. O motor continuou a ser de dois cilindros paralelos, mas cada cilindro (agora feito especialmente para a cilindrada de 250 cm³) era individual e aparafusado no bloco (antes, os cilindros eram fundidos juntos, formando um par em peça única).

Jean-Louis Tournadre e a Yamaha TZ 250 do brasileiro Bob Keller durante a etapa de abertura do ICGP 2016, em Paul Ricard.
Jean-Louis Tournadre e a Yamaha TZ 250 do brasileiro Bob Keller durante a etapa de abertura do ICGP 2016, em Paul Ricard.

Isso permitiu o uso de diagramas de admissão mais agressivos, resultando em maior potência. Para se ter uma ideia do que isso significou, basta dizer que a TZ 250 H era 15 kg mais leve que a TZ 250 G.

Nessa época, a Yamaha não tinha equipe oficial na categoria 250. Por isso, os pilotos e equipes privados que usavam TZ não tinham qualquer constrangimento em usar peças “alienígenas” em suas motos. Mas houve algum mal-estar nas equipes apoiadas diretamente pela fábrica. Christian Sarron, campeão mundial da 250 em 1984 pela Sonauto (importadora e concessionária Yamaha na França), só convenceu sua equipe a montar pistões Hummel no motor de sua TZ após os primeiros GPs da temporada, quando ficou claro que dificilmente seria possível ganhar corridas sem eles.

Christian Sarron, campeão da 250 em 1984.
Christian Sarron, campeão da 250 em 1984.

“Eu dizia que era preciso usar na moto o que houvesse de melhor, fosse da Yamaha ou não”, contou no final daquele ano. Seja como for, as TZ conquistaram três títulos consecutivos da 250: 1982 (com Jean-Louis Tournadre), 1983 (Carlos Lavado) e 1984 (Christian Sarron).

Lavado e a TZ N em 1985.
Lavado e a TZ N em 1985.

TZ N (1985) – Inicia-se a “terceira geração” das TZ, com a introdução do motor com palhetas de admissão. Esta providência, entretanto, não foi suficiente para conter o avanço da Honda, que montou uma forte equipe oficial para a 250 e sagrou-se campeã com Freddie Spencer. A nova categoria YC250, criada em 2016 no ICGP, engloba estas motos e as demais TZ fabricadas até 1990.

TZ S/T (1985 a 1987) – Diante da ofensiva da Honda, a Yamaha se rearmou. Ainda em 1985, apresentou a TZ S, com quadro Deltabox feito em alumínio e uma nova suspensão traseira.

Yamaha TZ de 1900. As diferenças entre a S e a T eram mínimas.
Yamaha TZ fabricada entre 1985 e 1987. As diferenças entre a S e a T eram pequenas.

Enquanto vendia as TZ para pilotos e equipes privadas, a Yamaha desenvolveu para 1986 as YZR250, equipadas com motor V2 (o da TZ tinha dois cilindros paralelos) e entregues unicamente às equipes Venemotos, da Venezuela, e Mitsui, da Alemanha. Foi com uma YZR que o venezuelano Carlos Lavado venceu seu segundo título da 250 em 1986.

TZ U/W/A (1988 a 1990) – São as motos da “quarta geração” das TZ, as mais novas entre as admitidas na nova categoria YC250 e bastante modificadas em relação às S e T. A TZ U, construída para a temporada de 1988, tinha como principal novidade a adoção do chamado “cilindro reverso”. Basicamente, os carburadores foram colocados na frente, de maneira a receber diretamente o ar de admissão, com os canos de escape em linha reta para a traseira da moto. Além disso, os cilindros foram inclinados para a frente, de maneira a facilitar a admissão e exaustão. A “U” foi também a primeira TZ a ter discos de freio duplos na roda dianteira.

A Yamaha TZ do brasileiro Alex Barros na temporada de 1989.
A Yamaha TZ do brasileiro Alex Barros na temporada de 1989.

A moto pouco mudou na série W, de 1989 (ano em que o brasileiro Alex Barros, 18º no campeonato da 250, foi o melhor classificado entre os pilotos que correram com TZ), mas teve alterações importantes no motor para a série A, de 1990: cabeçote de menores dimensões e alterações no sistema de refrigeração. As TZ A de 1990 são as máquinas mais novas que podem ser vistas nos grids de largada do ICGP.

Permanecia a política da Yamaha de fornecer as TZ às equipes particulares ou às equipes oficiais inscritas em campeonatos nacionais. No Mundial, as equipes apoiadas diretamente pela Yamaha recebiam as YZR com motor V2, medida necessária para fazer frente ao investimento da Honda – e que voltou a dar resultado em 1990, quando John Kocinski conquistou o título mundial da 250. Estas YZR serviram de base para a nova geração da TZ, introduzida em 1991 e com motor V2. Mas, daí para adiante, não há categorias do ICGP para essas motos.

 

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